Resistência e existência na Tekoa Arandu

Vivência na comunidade em Misiones revela conflitos, sabedorias e modo de vida Mbya Guarani

Por Michele Torinelli

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Ndaxeayvu rivei
Eu não falo isso à toa

Kovaa’e ma anhetengua meme
Isso realmente aconteceu, é verdade

[Trecho da história em quadrinhos Xondaro]

“Estamos falando de um povo que resiste há 500 anos”. Foi assim que Jorge Páez, uma das lideranças do movimento campesino da província argentina de Misiones, preparou a mim e mais cinco estudantes antes de partirmos para a Tekoa Arandu, a “comunidade da sabedoria”.

Fiquei sabendo das pasantías, as vivências estudantis em organizações camponesas da Argentina, por uma amiga que estuda na Escola Latino Americana de Agroecologia, iniciativa da Via Campesina no Paraná, sul do Brasil. Entrei em contato com a FANA (Frente Amplo para uma Nova Agronomia), que organiza a vivência, e fui com mais de 50 estudantes num ônibus desde Buenos Aires rumo ao norte argentino até San Pedro, onde fomos recebidos pela COTRUM (Coordenadoria dos Trabalhadores Rurais de Misiones).

Galera da FANA puxando dinâmica no primeiro dia em Misiones.

Galera da FANA puxando dinâmica no primeiro dia em Misiones.

Há onze anos, mais ou menos na mesma época – as férias estudantis de verão – participei de uma vivência parecida no Brasil – o EIV (Estágio Interdisciplinar de Vivência). No auge dos meus 20 anos, fui sozinha de Curitiba a Minas Gerais na minha primeira aproximação com movimentos sociais – no caso, o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). Foi um divisor de águas, o contato com uma realidade que, sem eu saber, era também minha. Vislumbrou-se um sentido para além dos estudos universitários, que tantas vezes carecem de sentido. Também foi minha iniciação na vida de viajante, esses saltos no escuro que permitem conhecer e desconstruir tanta coisa – o movimento interno e externo que as viagens ao desconhecido implicam.

Mais uma vez um salto no abismo, agora para conhecer a realidade do movimento camponês num outro país, e que inesperadamente aprofundou uma conexão que tem dado sentido ao meu caminhar: a cultura Guarani.

 

Chegada

Tivemos um dia de apresentação dos movimentos e especialmente da COTRUM em San Pedro e fomos divididos em grupos, que partiriam para as vivências nas comunidades distribuídas pela região. Quando soube que, entre elas, havia duas comunidades Guarani, pedi aos estudantes que estavam à frente da organização para que, se possível, eu fosse para alguma delas. E assim foi.

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Reunião entre estudantes, movimentos e comunidades em San Pedro.

Jorge, que havia contado um pouco sobre o que nos esperava, nos levou até lá. Nossa breve viagem – pois a Tekoa Arandu se encontra também no município de San Pedro, na região de Pozo Azul – foi interrompida por um grupo de agricultores de erva mate que havia fechado a estrada. Eles protestavam contra o baixíssimo valor que as empresas pagam pelo quilo da mercadoria – sendo que grande parte do mate consumido na Argentina vem de Misiones.

Um pouco à frente visualizamos o ônibus com o qual viemos de Buenos Aires e que levava os estudantes que iriam para comunidades mais afastadas. Fomos até lá e o pessoal estava conversando com os agricultores, tirando fotos e perguntando da sua luta – solidariedade militante.

Logo depois liberaram a estrada. Voltamos para o carro e seguimos viagem. Fomos nos conhecendo e conversando sobre assuntos aleatórios como astrologia, e lembrei que justo nesse momento se dava um eclipse solar. Não foi perceptível a olho nu, mas fiquei pensando o quão interessante era nossa ida para a comunidade coincidir com um evento astronômico tão significativo, incluso para várias tradições originárias.

O grupo era formado por estudantes de Agronomia e Ciências Ambientais – Diego, Estéfani, Alan e Caro (que, diferentemente dos outros que vinham da Universidade de Buenos Aires, veio da Universidade de Villa María, em Córdoba) -, Leandro, da Antropologia, e eu, comunicadora. O caminho nos levava natureza adentro. Passamos por algumas barracas com artesanato indígena na beira da estrada.

Viramos numa estradinha de terra bordeada por casas padronizadas de alvenaria. “Já estamos na comunidade”, nos avisou Jorge, o que podíamos perceber pelos traços das pessoas que íamos cruzando. Algumas casas tinham desenhos de criança nas paredes, janelas quebradas – diferenças culturais que já se mostravam, como a relação com a morada, com as crianças e com as coisas materiais. Na cultura Guarani, as crianças têm muita liberdade e são tratadas com respeito, sem serem inferiorizadas. São sagradas.

Paramos em frente à escola da comunidade. Quem nos recebeu foi Martin Fernandez, ou Vera (se pronuncia “Verá”), que é o segundo cacique e havia participado brevemente da atividade conjunta em San Pedro no dia anterior – ele saiu cedo porque sua sobrinha estava seriamente doente, e a família estava se reunindo todas as noites na opy, a casa de reza, para pedir por sua cura. Depois de nos saudar, ele buscou algumas cadeiras e levou-as para debaixo de uma árvore, onde sentamos em círculo.

A comunidade costuma receber visitantes, mas era a primeira vez que participavam das pasantías, assim que era tudo novo para todos. A aproximação com a COTRUM é recente – Jorge comentou que a organização soube das problemáticas da comunidade por meio de materiais jornalísticos, entre eles o documentário Tekoa Arandu, e entrou em contato.

Na atividade de apresentação na noite anterior, Vera já tinha contado que vivem ali mais ou menos 60 famílias, ou 300 pessoas, que habitam uma área de 20 km por 3 km. Ele advertiu que pode parecer muita terra, mas que é um território estreito e comprido e, para complicar, dividido por uma rodovia – “o caminho dos brancos”, como diz no documentário o opy’gua (que significa, literalmente, guardião da casa de reza). Além do mais, grande parte da terra contém mata nativa, que é historicamente respeitada pelo povo Guarani – o que é atração para alguns vizinhos que invadem o território para extrair madeira. Esse é um dos principais problemas que a comunidade enfrenta.

 

Conversas, mate e fogo à lenha

A conversa com Vera foi longa e regada a mate – aliás, com o calor que fazia, tererê, servido por Piri, jovem cacique de 25 anos que cumpre com essa responsabilidade de levar as demandas da comunidade para fora desde os 21. Logo depois um menininho assumiu a função de servir a erva com água bem gelada. Agradeci em guarani – haevete, perguntei se era assim que eles falavam. Piri confirmou que sim, e os estudantes aprenderam – e praticaram a cada volta do mate – a sua primeira palavra em guarani.

Vera comentou que a função de cacique não é mandar, mas ser um intelocutor da comunidade, comunicar seus interesses. Ele contou que os que têm mais influência no processo de decisão são os anciãos, as sábias. Alguém perguntou se um ancião é necessariamente um sábio, ele disse que não, que não sabe se ele mesmo um dia vai se tornar um sábio, vai depender da vida.

Vera, ou Martin Fernandez

Vera, ou Martin Fernandez

Infelizmente as relações políticas com os brancos muitas vezes desvirtuam o papel de cacique. Vera contou que houve um racha na comunidade, que agora conta com dois caciques – um de cada lado da estrada. E que recentemente foi criada um Secretaria de Assuntos Índigenas na província, que reconhece como cacique somente aqueles que lhe convém – ou seja, acaba interferindo no desenho político das comunidades, numa escolha que deveria ser interna, gerando disputas de poder.

Seguiu explicando que as decisões são tomadas por consenso, através do diálogo, conversando em círculo – e que a escuta é tão ou mais importante que a fala. “Quando uma pessoa fala, as outras ouvem: ninguém interrompe, levanta a mão, faz sinal que quer falar”, disse ele, o que gerou um impacto imediato em nós que chegávamos de fora, tão elétricos, criados numa cultura em que o falar é muito mais importante que o ouvir.

Saber silenciar é também saber falar. Dar valor à palavra, falar de verdade, com o coração. Numa comunidade em que acordos valem mais que burocracia, em que a sabedoria ancestral se trasmite de forma oral, sabe-se bem o que é isso.

Contraste com o mundo que os brancos construíram – e impuseram. Em que o que importa é saber falar – na televisão ou no palanque para ganhar votos, na sala de aula para ensinar os outros, até mesmo em atividades mais bem intencionadas, em que poucos falam e muitos escutam. Escutam? Um mundo em que saber falar é saber se impor, saber impressionar, saber enganar, quem não quer se dar bem? Em que o diálogo é experiência cada vez mais rara. Em que ser sincero, inocente, é sinônimo de ser otário – como coloca João José Felix Pereira, ou Awaju Poty, em sua tese sobre o mborayu, o espírito que nos une. Esse mundo tratorou o indígena. E ainda o ignora como sujeito – só quer se dar bem em cima dele.

Para além do massacre histórico, que demonstra bem o fato, podemos citar um exemplo corriqueiro e concreto: entre a cozinha da escola e o campo de futebol há umas paredes de tijolo semi-levantadas. Em época de campanha, um candidato iniciou a obra. Passadas as eleições, não só mandou parar a obra, mas levar embora todo o material que fosse possível – até a areia que restava, amontoada em frente à construção. E ficaram as paredes pela metade, a prova do crime.

E pior que o território da comunidade se espalha por três municípios: em tempos de eleição, chove candidato. Isso dificulta a negociação com as autoridades – a quem recorrer? Um município joga a responsabilidade para o outro. Pozo Azul, que é um bairro de San Pedro, reivindica autonomia municipal – o que Vera considera interessante, porque aí a comunidade pertenceria a apenas um município e seria mais fácil defender seus direitos e interesses.

Vera se despediu e disse que ficaríamos alojados na escola, que ainda estava em período de férias. Também falou que nesse dia, que era domingo, estaríamos por conta, e que a comunidade fica mais silenciosa – por causa do descanso e das atividades da igreja. Alguns frequentam a igreja cristã, mas ele explicou que eles também têm a “igreja” deles, a opy, que era para lá onde iria nesse momento. Avisou que seu irmão, Anselmo (ou Kuaray), viria conversar com a gente mais tarde. Kuaray nos contaria que hoje em dia não existe uma opy de toda a comunidade, somente algumas menores, das famílias que ainda mantêm as práticas espirituais tradicionais. Mas que pensavam em construir uma.

Armamos as barracas e levamos nossas comidas para a cozinha da escola – uma construção de madeira levantada pela própria comunidade. Cada grupo de estudantes recebeu duas cestas básicas por parte dos organizadores da vivência, assim que tínhamos comida de sobra. Fogão, só à lenha – e começou a saga do fumacê e das lágrimas nos olhos, ao que logo nos acostumamos. No primeiro dia chegou a ser vergonhosa a quantidade de fumaça que fizemos.

Crianças, nossas mais assíduas visitantes na cozinha da escola.

Crianças, nossas mais assíduas visitantes na cozinha da escola.

Enquanto esperávamos que nos indicassem qual lenha podíamos pegar, como havia advertido Vera, acompanhamos o jogo de futebol dos homens da comunidade contra os vizinhos. Belos lances e poeirão vermelhão dando o tom da partida.

Depois de muitas lágrimas, conseguimos atear fogo – e a prioridade era esquentar água para o mate, como não podia deixar de ser em terras argentinas, apesar de que não tínhamos almoçado e estávamos morrendo de fome. Kuaray já havia conversado com a gente e disse que chegaria para a janta junto com Para Poty (ou Micaela), sua companheira, que havíamos conhecido na plateia do jogo de futebol.

 

Diálogos e conflitos

Kuaray estuda Letras no Instituto Montoya, uma instituição de ensino cristã na cidade de Dorados onde conseguiu uma bolsa. Seus irmãos Vera e Jose também seguiram nos estudos. Sua mãe, Jaxuka, não fala a língua dos brancos, mas incentivou que seus filhos estudassem. Kuaray contou que há muita discussão entre as sábias e sábios quanto a se inserir ou não nessa cultura que os massacra. Mas chegaram à conclusão de que é preciso dominar suas ferramentas para sobreviver. Para se defender. Para tentar viver bem. E resistir. Mesmo com os riscos que isso implica.

Com o contato com os brancos, muito dessa cultura é incorporada, como acontece historicamente com qualquer povo que se relaciona com outro. Mas não podemos esquecer que não se trata de uma relação horizontal, uma troca saudável – mas de dominação e massacre. Simplesmente por serem como são eles desafiam a lógica do sistema. Eles não reconheciam a propriedade da terra! E agora precisam lutar pela demarcação de seu território. Precisam disputar leis. Precisam se defender dos que querem explorar os recursos naturais das terras que eles sempre cuidaram, e das quais dependem. Das quais todos dependemos – mas alguns enxergam isso, outros não.

Kuaray nos explicou que sempre que caminham pelas matas, eles pedem licença. Que todo ser vivo, toda pedra, toda árvore, todo rio, tem um “dono”, uma força que os rege, e que os chamam de “avôs”. Avó terra. Avô fogo. Com respeito e carinho. Os Guarani se sentem parte disso, dessa grande família conectada pela teia da vida. “Os brancos também fazem parte de tudo isso, mas se esqueceram”, disse.

Não há saída senão dominar os códigos dos brancos. Seu idioma, sua burocracia. E sim, a comunidade quer ter cada vez mais acesso às tecnologias. Às benesses construídas a partir do conhecimento comum da humanidade. Estão para receber computadores que permitirão realizar cursos à distância na escola local. É comum vê-los com seus celulares, conectados à internet, principalmente os jovens. Não querem ter acesso somente às tranqueiras do sistema, que é o que mais lhes chega. Refrigerantes, comida industrializada, hábitos alimentares que vão adquirindo, como acontece por todo lado. Televisão. O pior do mercado chega até eles, chega a todas as partes. Já as políticas públicas, nem tanto. Dificilmente. Com muita luta. São encarados como consumidores, por supuesto! Mas não como cidadãos.

Por isso a aproximação é um dilema. Inevitavelmente os indígenas vão adquirindo costumes de um modo de vida desequilibrado, desconectado da natureza da qual invariavelmente todos fazemos parte, e é preciso ter muito discernimento para se apropriar de forma consciente dos elementos culturais e materiais desse modo de vida predominante que estende suas garras e ondas eletromagnéticas cada vez mais mata adentro. Mas, ao menos na Tekoa Arandu, chegou-se à conclusão de que há de se enfrentar esse desafio. Não é nem questão de escolha, mas de sobrevivência.

Evidentemente sentimos, enquanto visitantes, que nossa simples presença representa esse dilema. Somos a corporificação de um encontro violento entre dois mundos. Confesso que essas situações mexem comigo. Mesmo lutando por um mundo onde caibam muitos mundos, meu jeito de ser – minha cor de pele, o idioma que falo, os códigos que domino – representa um mundo que se impõe sobre outros mundos, que me foram negados. Tenho reconhecido que esses outros mundos também fazem parte de mim. Mas é preciso se (re)conectar com eles. E desconstruir as capas que a civilização me colocou.

É preciso recordar.

Tabaco, medicina sagrada que permite conectar com os espíritos - e recordar.

Tabaco, medicina sagrada que permite conectar com os espíritos – e recordar.

Talvez a única maneira de reverter esse quadro de massacre seja o reconhecimento de nossas identidades indígenas, que nos permeiam. Mesmo que as avós indígenas tenham sido laçadas, violentadas, subjugadas, silenciadas. Mesmo que tenham adquirido nomes civis europeizados e documentos. Essas culturas resistem também nos “não-indígenas”, o que está evidente em alguns hábitos – como o de tomar mate. Nascemos dessa história. “Índio é nós”, já dizia uma campanha pelos diretos dos povos originários. Ou, como postulou Eduardo Viveiros de Castro, “só não é índio quem não é”. Mas tem que se garantir. Se desconstruir enquanto opressor.

Sim, tem o outro lado dessa postura, o risco da tal da “apropriação cultural”. Culturas indígenas como fetiche, como mercadoria, consumidas separadamente de seus sujeitos, esvaziadas de sua carga política, de sua cosmovisão, de seu potencial subversivo: do confronto que sua mera existência representa. Mas se não formos capazes de reconhecer que as culturas estão sempre em atualização e movimento, e de enfrentar o desafio da interação cultural… Só resta apostar no isolamento. Até que o sistema chegue com seus tratores. Portanto, se essa for a escolha, que é legítima, é melhor se esconder bem. Ou invibilizar-se. Em tempos de satétites, drones, vigilância digital, é possível? Ou já não há mais escolha?

Parece que não. Resta, então, identificar quais são os parâmetros, a(s) guia(s) que podem ajudar as culturas indígenas a não serem engolidas nesse diálogo-disputa com a civilização. E tudo indica que essa resposta pode ser encontrada justamente em suas culturas: através de sua memória.

 

Memória biocultural

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Milho tradicional, a memória materializada.

Os saberes tradicionais – ou dos povos índigenas, originários, camponeses, ou seja, não ocidentais – trazem conhecimentos de formas de se viver nesse mundo, a partir da relação com seus territórios e com todas as formas de vida, que foram construídos ao longo da história do ser humano na Terra. Eles podem servir de guia não só para aqueles que se reconhecem enquanto parte dessas culturas, mas para superarmos a crise planetária – social, ambiental, política, econômica, cultural – que enfrentamos enquanto humanidade.

O processo de modernização, que tem suas bases na tecnologia, na ciência, na industrialização e na urbanização, propôs e impôs um modo de vida que se colocou acima dos outros, que os subjugou. Os conhecimentos populares, ancestrais, foram considerados inúteis, arcaicos, até mesmo irracionais, a partir de uma noção linear de desenvolvimento que coloca a vida urbana e industrial num topo que deve ser alcançado por todos. Se não por vontade, por força. É o ideal colonizador.

Essa visão, que parte do homem branco (e destaca-se “homem” porque as mulheres também são vítimas desse processo), se dá a partir da dominação da natureza, encarada como um ente hostil a ser controlado. As manifestações da vida passam a ser entendidas como recursos a serem explorados.

“No entanto, embora essa racionalidade procure se impor ao eliminar os espaços de manobra para o exercício da criatividade e da espontaneidade dos atores locais, sua implementação não se fez sem que diferentes formas de resistência e de recriação cultural fossem ativadas. Onde se pretendeu incutir uniformização crescente e irreversível, assistimos novas expressões de diferenciação cultural e novas formas de organização do trabalho e da vida social. Povos indígenas e comunidades tradicionais lutam por seus territórios ancestrais de pleno direito e constroem suas próprias formas de integração com o conjunto da sociedade nacional. Comunidades camponesas se reinventam para assegurar e ampliar suas margens de autonomia em relação ao ordenamento empresarial imposto pelo agronegócio. Entre outros pontos comuns, tais povos e comunidades enfrentam os novos desafios colocados pela modernização, ativando suas memórias coletivas para definir estratégias inovadoras em defesa de seus meios e modos de vida.”*

Esse trecho do livro “A memória biocultural” demonstra que há resistência e re-existências, assim como relações entre as diversas culturas camponesas, sejam povos tradicionais ou comunidades rurais. Essa trama se revela concretamente na participação de comunidades Mbya Guarani na COTRUM, organização que reúne trabalhadores rurais de Misiones.

É interessante notar que a industrialização e a urbanização, apesar de avassaladoras, são processos muito recentes na história da humanidade – como recordou Ivanilso Hunoff, integrante do MST do oeste de Santa Catarina que migrou para Buenos Aires para estudar medicina, e que também participou das pasantías, completando comigo o time dos brasileiros.

Ele destacou que todos temos, em gerações próximas, familiares que fizeram a transição do campo pra cidade. Nossas mães, nossos avôs. Apesar disso ser pouco lembrado, todos temos origens camponesas. Portanto, a relação direta e cotidiana com a “natureza” (essa noção externa tão típica da racionalidade urbana) não é algo tão distante quanto a bolha da civilização faz parecer. “Se nossos antepassados conseguiram se adaptar a uma vida na cidade, certamente nós podemos nos readaptar à vida no campo”, acredita Ivanilso.

E muitos movimentos contribuem para o retorno dos camponeses, que frequentemente relatam histórias sofridas do seu período nas cidades e suas periferias. Contos de tentativa de adaptação ao modelo industrial de agricultura, de ficar dependente das empresas que vendem o tal do “pacote tecnológico” e ir à falência, e ter que deixar o campo em busca de ganhar a vida na cidade, de forma precarizada num ambiente hostil. “Eu quase que não consigo ficar na cidade sem viver contrariado”, já cantava Gil sobre o ser de lá do sertão.

Essa trama que reúne comunidades tradicionais e camponesas e suas memórias também é permeada pelas práticas do que hoje se chama de agroecologia, conceito que abarca “modelos de produção de alimentos sadios, de pequena escala, que não sejam prejudiciais à saúde do planeta e dos seres humanos”**. Modelos que partem das sabedorias e cosmovisões desses povos.

Apesar de não usarem esse termo, vimos um pouco desse tipo de prática na Tekoa Arandu durante o trabalho comunitário para reativar a horta da escola. Em um dia limpou-se o terreno, já bastante tomado pela vegetação, e fez-se vários canteiros. Alan perguntou se eles costumam cobrir a terra com algo, Vera respondeu que sim, que tradicionalmente cobrem com material orgânico que se acumula sobre o solo da floresta – o que serve para enriquecer a terra com nutrientes, protegê-la da erosão da chuva e manter sua umidade e temperatura. Essa prática é difundida em cursos de permacultura e agroecologia, e o material é chamado de manto florestal ou serrapilheira. Nomes novos para velhas práticas.

Galera já no final do expediente e os estudantes fingindo que tavam trabalhando esfarelando a terra com os pés.

Galera já no final do expediente e os estudantes fingindo que tavam trabalhando esfarelando a terra com os pés.

Kuaray também nos contou que as comunidades Guarani migravam de tempos em tempos, principalmente por questões ecológicas. Eles se instalavam num local e nele viviam até acharem ter chegado ao limite de um impacto ambiental sustentável, e então saíam comunitariamente em busca de um novo território. Desse modo, o espaço que havia sofrido interferência humana, ao ser abandonado, poderia naturalmente se recuperar: a mata retomava a área antes derrubada para fins de moradia e agricultura.

Muitos pesquisadores europeus apontam que esse deslocamento das comunidades Guarani se dá principalmente por questões espirituais, indica Kuaray, mas ele defende que a causa principal era a noção ambiental. E o fato de agora não poderem transitar por um amplo território – que passou a ser dividido por cercas, regulamentado por documentos e disputado através de balas -, é talvez o maior impacto da civilização dominante sobre essa cultura, que, para poder sobreviver, precisa delimitar um território fixo e lutar por sua demarcação.

Outro elemento fundamental que se relaciona com a memória biocultural são os idiomas. Neles estão condensados maneiras de identificar o mundo, e de se relacionar com ele. A padronização linguística é também uma violência cultural, de negação de diferenças. Awaju Poty, opy´gua da cultura Guarani Ñandewa, sempre rememora que o guarani era língua corrente no Brasil até fins do século XIX, quando por decreto imperial o uso de outros idiomas que não o português foi criminalizado.

Atualmente são faladas cerca de sete mil línguas em todo mundo – pode parecer muito, mas “antes da expansão colonial europeia, que começou no século XV, o número de línguas chegou a 12 mil, atingindo o auge da diversificação cultural da humanidade”***.

Kuaray acredita que o que mais contribui para manter a cultura Guarani é a preservação e o uso do idioma. Demos muita risada aprendendo algumas palavras com ele, que se divertia com nossa inaptidão – e percebemos que não se trata apenas de termos e fonemas diferentes (como o “y”, que é uma espécie de “ã” gutural), mas de toda uma outra lógica.

Por exemplo, os números. Aprendemos a contar de um a dez. Um, dois, três, quatro, uma mão (cinco). Duas vezes três (seis). Duas vezes três mais um (sete). Duas vezes quatro (oito). Duas vezes quatro mais um (nove). Duas mãos (dez). Kuaray nos disse que há muita discussão em torno de como a contagem continua, sempre variando a partir desses números básicos – porque, antes da invasão, não havia necessidade de contar tanto. Depois de dez viriam “muitos” e “todos”. Pronto. Uma língua prática, sem tanta abstração. Mas, com o contato com os brancos, surgiu a necessidade de pormenorizar quantidades maiores – e de reinventar o idioma, como sempre acontece com tudo que é vivo.

Por isso a importância de se ter uma escola na comunidade em que as crianças e jovens aprendam não só o idioma nacional, mas o seu próprio. No caso da Tekoa Arandu, trata-se de uma escola intercultural bilíngue, que conta com professores de fora e auxiliares indígenas. Muito da motivação dos que seguem nos estudos é trabalhar na comunidade – mesmo que para isso tenham que percorrer largas distâncias ou até mesmo morar em outra cidade.

Destaca-se também o fato de manterem seus “nomes verdadeiros”, que é dado pelo opy’gua. O outro é o “nome do documento”. Manobras para resistir nesse mundo moderno que os acossa.

 

Caminhadas pela mata

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Kuaray nos levou para conhecer a comunidade – pegamos uma baita de uma chuva no caminho, atravessamos a rodovia e paramos na casa de seu irmão Jose, sua cunhada Liliana e a pequena Verónica. Nos apertamos um pouco aí e, mesmo com alguma chuva, seguimos caminho mata adentro até a imponente cachoeira que fica ali perto. Na volta, Liliana nos esperava com chipas e mate cocido quentinhos.

A casa deles não era como as padronizadas que vimos do outro lado da estrada, não tinham vizinhos tão próximos quanto aquelas, e estava rodeada de cultivos de mandioca, milho, feijão e batata doce, entre outros. Ela disse que tem muita mandioca, e que qualquer vizinho que quiser pode vir pegar, basta que esteja disposto a limpá-las – o que fizemos, levando mandioca e milho com a gente. Alguém perguntou se era uma plantação coletiva, ela disse que não, mas que é assim: o que têm, compartem – e que, de qualquer maneira, eles não têm tempo para dar conta de tudo que plantaram porque há muitas demandas na comunidade.

Ela e seu companheiro, além de trabalharem na escola e no grupo de trabalho comunitário, facilitam os trâmites burocráticos daqueles que precisam. Um deles é Reinaldo, jovem que ganhou prêmios em feiras de ciências nacionais e internacionais, chegando a ir a um encontro latino-americano em Bogotá. Seu trabalho tratava das medicinas e da cultura de seu povo, do uso de plantas, e utilizava-se de fotos e vídeos. Justo nos dias da nossa vivência ele partiu para Córdoba para estudar medicina. Conversamos com ele na noite anterior à sua partida. O trâmite com a universidade levou dois anos.

Jose e Liliana também ocupam seu tempo com outras questões que dizem respeito a todos – como, por exemplo, os madeireiros. A comunidade os flagrou roubando e chamaram a polícia. Segundo Liliana, os policiais disseram que precisavam de contribuição para gasolina, porque estavam sem… Identificaram os ladrões e disseram à comunidade que deveriam contratar um advogado até segunda – sendo que era sexta-feira. E isso de achar um advogado que cobrasse pouco e não fosse pilantra foi uma outra complicação… No final das contas teve gente presa e eles estão podendo respirar um pouco no que diz respeito à isso.

Liliana, assim como Kuaray, problematizou as relações institucionais com pastorais e ONGs. Se por um lado é um meio de viabilizar coisas, como a construção das casas que vimos quando chegamos e da própria escola, há muitos conflitos de poder – político e econômico – nessas parcerias. Enquanto os brancos que dominam a burocracia vivem dos projetos, a situação deles continua difícil… Um motivo a mais que os leva a querer dominar essas ferramentas, para ter autonomia.

Liliana disse que eles estão com planos de começar alguns projetos, como uma granja e uma marcenaria comunitárias – projetos que surgem de demandas reais da comunidade. Já tiveram experiências anteriores em que gente de fora veio com a proposta, sem levar em consideração as vontades e necessidades deles, e evidentemente fracassaram.

Agora estão com um grupo de trabalho comunitário que foi viabilizado com a ajuda do deputado provincial do PAYS – Partido Agrário e Social, e por enquanto estão tendo uma boa relação. O partido surgiu de movimentos camponeses de Misiones a partir da necessidade de disputa de políticas públicas, e a ideia é que se torne um partido nacional.

Outro dia saímos para caminhar, sem nenhum “guia”, e as crianças colaram na gente. Fizemos uma contagem para garantir que não perderíamos nenhuma, atravessamos a rodovia e, no final das contas, elas que estavam nos conduzindo mata adentro. Uma menina me mostrou um cipó, cortou um pedaço, raspou a casca e me deu para cheirar. Disse que ferviam junto com a água do mate. Me falou o nome em guarani, que não me lembro – e depois fui descobrir que se tratava do cipó conhecido como “mil homens”. É digestivo.

Jaxuka e as lágrimas de virgem.

Jaxuka e as lágrimas de virgem.

No nosso último dia na aldeia, fomos com Vera até a casa da sua mãe, que vive mais afastada, numa morada construída de maneira tradicional. Foi uma linda caminhada de cerca de quarenta minutos na mata, subindo, descendo, cruzando córregos e riachos. Ela vive com duas filhas, e fazem esse caminho cotidianamente. Vera e Kuaray haviam comentado que Jaxuka, sua mãe, é uma mulher de espírito forte. E, apesar de não falarmos o mesmo idioma, foi possível perceber. Basta a postura. Basta o olhar.

Casa de pau-a-pique. Teto de taquara. Fogo no chão. Diversidade de milhos coloridos. Mata. Montanhas. Cultivos. Um lugar lindo. Ela separava sementes de lágrima de virgem para fazer suas artesanias, com toda a tranquilidade do mundo. Assumimos a cozinha.

Levamos comida para fazer o almoço – como tantas outras refeições que, com prazer, preparamos para a comunidade. Era o mínimo que podíamos fazer para retribuir a acolhida. Mas, para a alegria dos vegetarianos, a carne foi cozida separadamente dessa vez.

Conhecemos outra casa próxima, habitada por parentes. Eles estavam enrolando tabaco quando chegamos. Compramos um pouco – tabaco produzido sem venenos. Comentei que esse produto tá valendo bastante no mercado… Eles vendem super barato. Interessante lembrar que o tabaco é uma medicina sagrada do povo Guarani, utilizado para limpar o corpo e o espírito, e se conectar com as divindades. Como tantas outras medicinas sagradas, foi o uso que o branco lhe deu que a desvirtuou. Um outro exemplo clássico é a folha de coca, sagrada para os povos andinos.

A arte de enrolar tabaco.

A arte de enrolar tabaco.

Almoçamos e voltamos com pressa – tínhamos que estar na rodoviária às três da tarde, onde um ônibus iria nos buscar. Arrumamos tudo rápido e mal deu tempo de nos despedir. No final das contas, ficamos horas e horas esperando. O motorista do ônibus, que passou por várias comunidades buscando estudantes, esqueceu da gente.

E assim que, tarde da noite, companheiros da COTRUM foram nos buscar de carro. Tantas horas à toa que até aprendi a jogar o truco argentino. O bom é que outro Leandro, também Kuaray, aceitou deixar a comunidade por uns dias e ir com a gente para a finalização das pasantías, que reuniria os estudantes, os movimentos e as comunidades para compartilhar e avaliar tudo o que viveram.

 

(re)Encontros

Dessa vez nos reunimos na cidade de Andresito, perto da fronteira com o Brasil. O pessoal da região fala um portunhol muito engraçado, é tipo um espanhol com entonação e expressões brasileiras. Aliás, eles não chamam o idioma do Brasil de português, mas de brasileiro mesmo.

Alguns grupos de estudantes foram para comunidades onde mais se fala brasileiro que castelhano. A influência cultural é bem forte – até mesmo na Tekoa Arandu ouvi os jovens escutando música brasileira no celular. Pena que não se trata de uma troca cultural recíproca, mas de uma influência que aparentemente se dá mais pelo poderio econômico do gigante de cima. Subimperialismos.

Entre conversas, refeições (gracias à mulherada guerreira da COTRUM!) e debates, foi proposto que cada grupo fizesse uma atividade mais lúdica e livre acerca do que viveu na comunidade que visitou. Uma espécie de mística.

No nosso primeiro dia de vivência Caro pediu pros nossos anfitriões traduzirem uma palavra de ordem – já pensando na apresentação da volta. “Alerta, alerta, alerta que caminha a luta campesina por América Latina!”, tão repetida nos encontros com a COTRUM. Vera e Piri tentaram traduzir, ficaram discutindo um tempão, e cada frase dobrava de tamanho em guarani. Não puderam terminar. Depois passamos a bola pro Anselmo Kuaray, já que ele estuda Letras. Ele disse que é outra lógica, que é difícil traduzir as coisas literalmente. E ficamos sem nossa tradução. Assim que tivemos que improvisar. Ainda bem.

Leandro Kuaray, durante as longas horas que esperamos na rodoviária, disse que nos ensinaria uma música – o que não rolou. Lembrei disso no momento em que preparávamos a mística, e diante de sua timidez, confesso que dei uma pressionada. E eis que ele nos ensinou:

Ñamandu Mirim yva´a porã
oejavakue orevynguara.
Etavaekuery omokanymba
ñee porã’i oejavaekue.

Pelo que pude entender do que ele me explicou, a tradução é mais ou menos essa:

Belos frutos Ñamandu
nos deu para desfrutar.
Os outros vieram e usurparam
aquilo que o espírito sagrado nos deu.

Como bem explicou o outro Leandro, estudante de Antropologia, durante a nossa mística, trata-se de um lamento e de um canto de resistência. Aprendemos a cantá-lo. Decoramos, para cantar de memória. De coração.

Alguém teve outra ideia: que contáramos uma história da cultura Guarani. E já havíamos compartilhado um lindo conto anteriormente. Anselmo Kuaray me emprestou dois materiais enquanto estávamos na comunidade, porque eram em português – ele ganhou de parentes quando esteve no Brasil para um encontro da Comissão Guarani Yvyrupa, que reuniu gente do país anfitrião, Paraguay, Uruguay e Argentina (e Kuaray ficou positivamente impressionado com a postura de enfrentamento de seus parentes frente a integrantes da FUNAI, o órgão estatal brasileiro responsável pelas questões indígenas – que tem sofrido graves investidas em prol dos interesses ruralistas nesse momento político temeroso que o país vive).

Um belo dia eu estava lendo na sombra de uma árvore depois do almoço quando chegaram os estudantes. Pediram para eu ler para eles uma história sobre Kuaray e Jaxy, os irmãos Sol e Lua, com ilustrações lindas. A narrativa faz parte da publicação Xondaro, uma história em quadrinhos que conta um fato real: de quando um jovem Guarani que participou da abertura da Copa do Mundo de 2014 abriu uma faixa pedindo demarcação, em plena cerimônia de início do evento – e algumas histórias tradicionais permeiam o enredo. Anselmo disse que muitas vezes as pessoas se referem a essas histórias como mito, mas, para ele e seu povo, são a sua história.

Eu ia fazendo uma tradução espontânea e mostrando os desenhos. Estéfani chegou um pouco depois e disse que a cena era bem linda. Me senti bem Tia Mi contando histórias para os coleguinhas debaixo da árvore. Curioso que Anselmo, que tem interesse em aprender português (ou brasileiro), também pediu para eu ler para ele, traduzindo, só que queria o contrário do que queriam os estudantes: “o mito eu já conheço”, disse.

Já tínhamos a música e o conto; complementamos a apresentação sentando-nos ao redor de um fogo que improvisamos. Acendemos o cachimbo (petyngua) e o passamos em roda entre nós, enquanto contávamos a história, cada um com seu trecho, de memória. Cultura oral. As crianças sentaram junto com a gente.

Enquanto isso, fizemos rodar entre todos algumas cuias de mate com o cipó que a menina nos deu durante nosso passeio na mata. Em seguida, nos levantamos e cantamos a música que Leandro Kuaray nos ensinou. Havíamos perguntado se ele não queria participar da apresentação com a gente, ele disse que achava que não fazia muito sentido, mas contou que o “diretor” do coral costuma saudar aqueles que cantam ao final, e que esses respondem “aguyjevete”, uma saudação que se dirige aos sábios e anciãos. Ele assumiu o posto de diretor, se levantou ao final do nosso canto e nos saudou, ao que respondemos: “aguyjevete”.

Fomos os primeiros a nos apresentarmos, e Kuaray veio abraçar a gente no final. “Estou muito emocionado porque vejo que vocês realmente são capazes de aprender a nossa cultura”, disse. Estávamos todos muito emocionados. Desse encontro entre dois mundos, entre muitos mundos, ninguém saiu ileso.

Após as criativas apresentações dos outros grupos, teve janta e festa. Subimos no ônibus por volta das 2h da manhã – a indicação era que tirássemos os sapatos para entrar, que continham uma crosta de vários centímetros de barro vermelho. Mas os pés estavam também vermelhos, assim como as roupas. Marcas físicas, entre tantas outras marcas.

As pessoas iam se reconectando aos seus celulares, longas horas até a capital federal. Lanches, cantos, conversas e sonecas coletivas. Uma certa tristeza de voltar à selva de concreto, ao cotidiano na cidade grande, misturada ao cansaço após esses intensos dias.

A trama pela luta camponesa e indígena tece novos nós, fortalece outros. A vida segue, mas já não é a mesma. Se veste com um outro sentido. Comum.

Registro do Encontro na Tekoa Arandu.

Registro do Encontro na Tekoa Arandu.

 

* Parte do livro “A memória biocultural: a importância ecológica das sabedorias tradicionais”, com o qual me deparei na última Jornada de Agroecologia, realizada anualmente no estado do Paraná. Ele foi escrito pelos mexicanos Víctor M. Toledo e Narciso Barrera-Bassols e publicado no Brasil pela editora Expressão Popular. Esse trecho está na página 12 da 1a edição e faz parte do prefácio escrito por Paulo Petersen, coordenador executivo da AS-PTA – Agricultura Familiar e Agroecologia e membro da Diretoria da ABA-Associação Brasileira de Agroecologia.

** Mesma obra, p. 21.

*** Mesma obra, p. 33.

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