Pesquisa

Pra além de conhecer, aprender, registrar e divulgar experiências de Bem Viver, o projeto Vida Boa – andarilhança por experiências de Bem Viver tem outro objetivo: realizar uma pesquisa que ajude a elucidar os desafios e as conquistas das iniciativas que ousam colocar esse conceito em prática.

As dificuldades que se apresentam na implementação do Bem Viver mostram que essa não é uma tarefa fácil de se executar. Fala-se muito em “comunidade” como alternativa ao paradigma individualista, mas o que é de fato comunidade? Existem muitas respostas para essa pergunta – várias formas de se entender e viver comunidade -, o que motiva a investigar essas várias experiências, suas perspectivas e práticas, reconhecendo a diversidade de possibilidades de construção de uma vida mais digna, compartilhada, equilibrada e integrada.

Mas, apesar de o conceito de comunidade ser um nó central da análise, a pesquisa não se limitará a ele, incluindo experiências que não se reconheçam a partir desse rótulo – o que é coerente com a premissa de diversidade do Bem Viver.

 

A pesquisa está dividida inicialmente em dois momentos (que podem se sobrepor):

1. Interação com as experiências e o registro de suas práticas – ou seja, a coleta de dados por meio do contato presencial e do registro através de fotografia e texto, o que permite traçar um panorama inicial. A divulgação online nessa plataforma e em mídias sociais possibilita um feedback quase instantâneo, assim como a divulgação das experiências. O tempo de permanência depende de cada caso, mas a intenção é que se estabeleça o contato em profundidade e a imersão na rotina local. O tempo médio tem variado de 7 a 15 dias, mas costuma ficar em 10 dias.

flor-da-permacultura

2. Análise das práticas e da dinâmica social das iniciativas. A ferramenta de análise utilizada será a “flor da permacultura”, que possibilita um olhar político, econômico, ecológico, técnico, cultural e até mesmo espiritual sobre as experiências. Aos elementos presentes na “flor da permacultura” (manejo da terra e da natureza, espaço construído, ferramentas e tecnologia, cultura e educação, saúde e bem estar espiritual, economia e finanças, posse da terra e governo comunitário), será adicionado um aspecto central da perspectiva agroecológica: políticas públicas e organização social.

Entende-se que esses fatores são relevantes e complementares na construção de experiências de Bem Viver, e que muitas vezes alguns aspectos são privilegiados em detrimento de outros – o que faz, inclusive, com que as distintas experiências sejam complementares.

Essa complementaridade se dá também entre a permacultura e a agroecologia: enquanto a primeira possui um arsenal de práticas de ação direta e criação de sistemas sustentáveis locais no estilo “faça você mesmo”, a agroecologia se articula em rede e conecta movimentos sociais, massifica práticas socioecológicas e disputa os rumos das políticas públicas.

A proposta é que a análise de cada experiência seja feita em conjunto com a iniciativa em questão, gerando uma reflexão compartilhada sobre suas práticas e sua dinâmica. Essas análises serão publicadas online e constituirão um acervo que permitirá avaliar posteriormente os desafios, conquistas e perspectivas das experiências de Bem Viver.

 

Essa é uma proposta inicial, um ponto de partida que surge da prática e que pretende continuar se transformando com ela – como tudo o que é vivo. A pesquisa se construirá ao longo da trajetória, na qual serão feitos estudos e reflexões teóricas (livres dos grilhões acadêmicos mas também aproveitando-se do que o conhecimento formal tem a oferecer), que serão disponibilizados aqui.

Sugestões, críticas e convites são muito bem vindos: será um prazer receber o seu contato =)

 

Acompanhe esse percurso.